Afinal, o que é Tipografia?

Atualizado: 4 de nov. de 2021

Neste conteúdo entenderemos o que é, e para que serve uma tipografia.


Fonte: imagem Google em matéria de David Carson.


A tipografia nada mais é que a forma de compor e imprimir os tipos. Ela é um conjunto de procedimentos artísticos e técnicos que abrangem diversas áreas da produção gráfica, que vai desde a criação dos caracteres até o processo final de acabamento.


Já a Tipologia é um subproduto da tipografia. Ela é uma coleção de caracteres, arranjos ou estilo da composição.


A Tipologia ou a Tipografia podem ser resumidas como a arte gráfica de expressar diferentes fontes e tipos, usando-as de maneira que transmitam mensagens, sentimentos e formas.



Os tipos possuem sentimentos e trazem sensação ao leitor.


Cada aresta, linha ou bastão tem sua própria característica que, quando combinadas com o contraste dos pesos e alinhamentos, podem gerar uma personalidade singular.

Quando temos uma fonte grossa e pesada, ela tem o objetivo de transmitir sensação de imediatismo e, quando temos uma fonte fina com serifas, nos transmitirá uma sensação de algo mais clássico.

Se você combinar essas informações com um significado, seu resultado será extraordinário, pois quando usamos uma fonte e sua família agregada ao significado e ao propósito, mudamos toda a percepção.

Um dos princípios do uso de uma fonte é sua legibilidade imediata.


Já o designer gráfico David Carson, desconstruiu tudo aquilo que temos como referência em estética editorial e, em muitas vezes, suas fontes eram tão ilegíveis ao ponto de serem consideradas obras de design moderno.


O início da tipografia surgiu com a ideia de copiar a escrita humana de forma rápida.

Embora as fontes sejam digitais, elas expressam sentimentos através de gatilhos de referências ou idealizações armazenadas em nosso subconsciente.


A partir de agora empregaremos o termo Tipografia em um sentido mais amplo. Distribuiremos o conhecimento técnico das fontes e glifos com aquilo que chamaremos de macrotipografia e microtipografia.


A macrotipografia diz respeito à escolha, formato dos tipos, das cores, do papel e da composição das páginas. A microtipografia é o que acontece entre as linhas, letras e os detalhes do acabamento.


As fontes possuem tipos, geralmente com todos os glifos (letras, números e acentos) completos e podem ou não pertencer à uma família.


Cada família, dentro de uma categoria, é definida pelas características de desenho de cada fonte e não pelo seu peso. O número de fontes hoje é incontável, mas ainda assim é importante catalogá-las por estilos e categorias.



A fonte Autumn Feel, por exemplo, é uma fonte sem família.

Já a fonte Myriad é uma família de 46 tipos de pesos diferentes em seu pacote.




A partir daqui começaremos a entender a nomenclatura correta e a anatomia de um glifo.


Existem 4 linhas invisíveis que comportam os tipos.

A linha de cima, conhecida como a linha Versal ou linha do versalete, é a linha da altura da caixa alta de uma fonte, ou em termo leigo, da maiúscula. Depois temos a linha de topo, que é linha onde se encaixam as letras minúsculas ou linhas altas, como o ‘l’, o ‘t’, o ’f’. Na sequência temos a linha mediana que é a linha onde se encaixam basicamente todas as alturas de fontes que não possuem perninhas, nem para cima e nem para baixo. Logo abaixo temos a linha de base, se você olhar esse texto como uma mancha de imagem verá que todas as fontes se alinham à essa base. E por fim, temos as linhas de haste descendentes que é onde se encaixam as perninhas do ‘p’, ‘q’, ‘g’.

Precisamos entender que a primeira catalogação de fontes é entre: serifadas, bastonadas e cursivas. As fontes cursivas são as mais fáceis de entender e identificar, são aquelas que imitam a escrita humana. As fontes serifadas são aquelas fontes que possuem perninhas, os puxadinhos que finalizam a fonte. Originada do holandês schreef, serifa quer dizer linhas finas e nomeia os acabamentos de cada letra. Isso surgiu como esptra no final de cada letra talhada pelos artesãos romanos e tinha o objetivo de prevenir o acúmulo de poeira. A prática é uma herança histórica e tomou diferentes formas com o passar dos anos, como serifa linear, curvada, quadrada, slab ou triangular.


Os vários tipos de serifa.

As fontes bastonadas, como o próprio nome sugere, são fontes retas, em forma de bastões e sem terminações. Um grande exemplo bem clássico de uma fonte bastonada é a Futura.


Traço, é especificamente a parte diagonal de letras, também conhecidos como traços do tipo. Algumas fontes não possuem um traço completamente reto. Existe uma diferença de espessura entre um lado e outro do desenho da fonte. O lado mais fino é conhecido com filete. O traço é a forma mais larga da fonte que fica na diagonal. Nas fontes romanas e em fontes cursivas isso é mais nítido. Nas bastonadas quase não temos casos de fontes com traços. O traço que cria as barrigas, como no ‘a’, ‘b’, ‘g’, é chamado de laço. Apoio é a parte curva da serifa e a direção onde um traço curvo muda de peso.

As fontes bastonadas possuem um outro tipo de nomenclatura, assim como as serifadas, tem desenhos e características próprias, o que reflete na nomenclatura da sua anatomia. Ápice é aquele ponto de encontro na parte superior de glifo, onde os traços da direita e o da esquerda se encontram. Isso é bem nitidamente observado na letra ‘A’ onde vértice é o mesmo ponto. Terminal é nome dado para o acabamento de um traço. Se pegarmos as fontes Arial e Helvética, por exemplo, tem terminais retos e sem nenhuma decoração. Já na fonte Grobold, por exemplo, os terminais são inclinados e na Times New Roman tem terminais agudos. O vértice é o desenho em ângulo, formado na parte inferior de um glifo que se encontra como no caso do ‘V’. As perninhas das fontes chamam-se ascendentes e descendentes. Ascendente é a parte do desenho da fonte que se estende acima da altura. Descendente avança abaixo da linha de base.

Perna é a parte da letra mais baixa, inclinada em direção à linha de base. Como no exemplo de K, k e R, que as vezes é usado para denominar também a cauda do Q. Essas são as mais importantes já que definem principalmente as diferenças entre bastonadas e serifadas. Nas imagens abaixo encontramos outras nomenclaturas anatômicas.





TIPOS DE FONTES


Todas as fontes são separadas por estilos, às vezes classificadas até historicamente. Humanistas – são as fontes que imitam com muita proximidade a caligrafia clássica. Elas reproduzem muito fielmente a caligrafia de penas no papel. São fontes orgânicas com mais detalhes, personalidade e seu desenho é mais orgânico. A legibilidade dela pode acabar comprometida dependendo da quantidade de texto e o tamanho que ela é usada.


Transicionais – como o próprio nome sugere, elas transitam entre a fase da escrita manual para a escrita tipográfica.



Embora ainda possuam um ar retrô são fontes mais legíveis e nítidas do que as humanistas, muitas homenageiam seus criadores, como a criada por Willian Caslon, que recebe o seu nome. Modernas – Vem após a fase das transicionais, aparecem quando a tecnologia e precisão para a confecção dos tipos aumenta. Os filetes, hastes e serifas, possuem espessuras diferentes. São ainda mais retas e limpas que as transicionais. A versão itálica delas se aproxima de um manuscrito.

Egípcias – São as fontes que possuem um peso maior nas hastes e serifas. De desenho mais quadrado, foram criadas para uso quase publicitário. Eram usadas principalmente para chamar a atenção do público para os anúncios de cartazes. Isso tudo por volta do século XIX. Apesar disso, hoje em dia, são muito utilizadas para criar peças modernas com ares retrô. A Memphis e a Rockwell são dois exemplos clássicos desse tipo de fonte.

Como podemos perceber, o estudo da tipologia é riquíssimo e nos ajuda a criar Jobs muito mais interessantes. Vamos ver agora o que podemos aprender sobre as fontes sem serifas ou bastonadas.

As bastonadas humanistas – apesar do traçado reto, elas possuem um desenho levemente curvado, parecido com o trabalho de penas ou makers. As linhas nem sempre são a 90 graus. Duas representantes desse tipo de fonte são a Candara e a Gill Sans (que curiosamente ganhou também uma versão serifada, a Gill Sans Serif). As bastonadas transicionais - são as fontes básicas. São da geração Helvética, retas, duras e sem muita personalidade, mas são as fontes coringas. Você usa sem medo de errar. São excelentes representantes delas a Arial e a Helvética, todas muito parecidas, ficando às vezes até fácil de confundi-las.

Sem Serifa Geométrica – é a classificação onde entram basicamente as fontes mais diferentes. A Futura (fonte também criada em Bauhaus e fidelíssima aos seus ensinamentos), é toda gama de fontes com detalhes mais geométricos, sejam alongados como a Bebas ou arredondados como a Bauhaus. Da série bastonadas são famílias que possuem características mais diferentes entre si e com mais personalidade, fugindo da regularidade das anteriores.

Já as Manuscritas, como o próprio nome diz, são as fontes que imitam a escrita humana. Destacaram-se muito na década de 60 e o uso delas deve ser com parcimônia, porque nem sempre são fontes com boa legibilidade. A criação busca trazer intimidade com o leitor, aconchego ao trabalho ou mesmo modernidade. E cada vez mais elaboradas, com mais efeitos, as fontes manuscritas são as que têm maior gama de opções. As caligráficas ou manuscritas voltaram agora com força. Tem as clássicas como a Edwardian, as quase medievais como a Porcelain e as mais modernas como a Inkland.

A proposta deste conteúdo é compartilhar informações sobre as estruturas arquitetônicas das fontes e que através dessas informações você consiga criar seu logotipo e a identidade visual da sua empresa, marca ou negócio.