Tipos de Coerência Textual

Atualizado: 4 de nov. de 2021

Coerência textual é aquilo que faz com que um texto nos pareça “lógico”, consistente, aceitável e com sentido. Relaciona-se com conhecimentos e informações.

Ou seja, um texto só poderá ser considerado coerente se fizer sentido para o leitor, onde o mesmo estabelece sentidos ao texto com base em seu conhecimento de mundo e nas pistas deixadas pelo autor. O conjunto dessas pistas é aquilo que vimos no capítulo anterior: a coesão. Dessa forma, podemos perceber que coesão e coerência são dois mecanismos que normalmente caminham lado a lado, pois reconstruir a coerência de um texto é responsabilidade do leitor, mas para isso precisa de ajuda do autor por meio dos mecanismos de coesão.

COERÊNCIA SEMÂNTICA

Diz respeito à relação entre significados dos elementos das frases em sequência, em um texto, ou entre os elementos do texto como um todo. Para que a coerência semântica esteja presente, é preciso que ele não seja contraditório. Para detectar uma incoerência, devemos fazer uma leitura cuidadosa. Exemplo: A televisão transmite lazer. Na verdade, a televisão não transmite, mas proporciona lazer.

COERÊNCIA SINTÁTICA


"Oração escreve uma coerência assim sintática, a mesmo ninguém não que conheça".

Não deu para entender? Pois é, mesmo que não conheça a coerência sintática, ninguém escreve uma oração assim. A Sintaxe é a parte da gramática que estuda a disposição das palavras na frase, bem como a relação lógica das frases entre si. Para isso, é preciso construir frases em que os elementos estejam dispostos na ordem correta. Está relacionada com a estrutura linguística, coesão, além da ordem dos elementos na oração, como também com a seleção das palavras etc.

Quando empregada, eliminamos estruturas ambíguas, bem como o uso inadequado dos conectivos.

COERÊNCIA ESTILÍSTICA

O estilo diz respeito à variedade linguística utilizada em um texto. Se você escolher a variedade padrão, é coerente que você a utilize em todo o texto. Não há sentido em começar um texto com uma linguagem formal e mudar para uma coloquial, concorda? A incoerência estilística não provoca prejuízos para a interpretabilidade de um texto, contudo, a mistura de registros deve ser evitada, principalmente nos textos não literários. Essa noção é necessária para explicar fenômenos de quebras estilísticas.

COERÊNCIA PRAGMÁTICA Você sabe o que é pragmática? A Coerência Pragmática trata-se da parte da Linguística que estuda o uso da linguagem, tendo em vista a relação entre os interlocutores e a influência do contexto comunicacional. Todos os textos, sejam eles orais ou escritos, devem obedecer à coerência pragmática. Quando você faz uma pergunta, por exemplo, a sequência de fala esperada é uma resposta. Quando você faz um pedido, é pragmaticamente impossível que simultaneamente você dê uma ordem. Quando essas expectativas são quebradas, temos um claro exemplo de incoerência pragmática. É muito comum que se elaborem piadas a partir de incoerências pragmáticas: No balcão da companhia aérea, o viajante perguntou à atendente: - A senhorita pode me dizer quanto tempo dura o voo de São Paulo à Lisboa? – Um momentinho. – Muito obrigado. Para o viajante, a resposta obtida não pareceu nem um pouco incoerente. No entanto, “um momentinho” não é a resposta, é simplesmente um pedido de tempo para depois dar atenção ao viajante. Nós é que percebemos a incoerência da sequência e tomamos o conjunto como uma piada. Portanto, um texto coerente, além de bem escrito, deve apresentar coerência: Interna > Apresentar harmonia entre as ideias contidas no texto. > O tribunal, após breve deliberação, foi condenado a um mês de prisão. > Podemos perceber, no exemplo acima, que há uma incoerência interna, pois o tribunal não pode ter sido condenado a um mês de prisão, mas sim o réu. Externa

> Estar articulado com o contexto exterior, com o receptor. > “Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu...” (Claudiomiro, jogador de futebol, ao chegar em Belém do Pará) > Já no exemplo acima, precisamos de um conhecimento externo ao texto para perceber a incoerência: saber que Cristo nasceu na região da Palestina, na Cisjordânia, a 10 km de Jerusalém, e não em Belém do Pará, aqui no Brasil.

PODE HAVER COERÊNCIA SEM COESÃO

No início deste capítulo vimos que coesão e coerência normalmente caminham lado a lado, como se fossem condições inseparáveis. Mas não é sempre que isso acontece. Podemos ter um texto coerente sem que apresente elementos de coesão. Para que seja compreendido, o texto deve ser inteligível, ou seja, ser coerente, mas não precisa, necessariamente, ser coeso.

PODE HAVER COESÃO SEM COERÊNCIA?

O melhor exemplo que tenho desse caso são algumas piadas que se constroem a partir de interpretações ambíguas. Normalmente, o desfecho dessas piadas aponta para uma situação incoerente, portanto engraçada. Perceba que os enunciados das piadas apresentam as ideias bem “costuradas” por meio de mecanismos de coesão. Ao contá-las, as premissas são apresentadas de modo a encaminhar para determinada conclusão, mas somos surpreendidos ao final, quando nos apresentam desfechos surpreendentes e incoerentes.

PRINCIPAIS PROBLEMAS RELACIONADOS À COESÃO E À COERÊNCIA

Ao analisar o enunciado “João mandou lavar o terno; amanhã ele tem uma entrevista”, comprovamos que a ausência de mecanismos coesivos não necessariamente leva à falta de coerência. Há situações, como essa, em que a relação entre as ideias está tão clara que o emprego de conectivos torna-se dispensável. Em geral, isso ocorre em duas situações: a segunda ideia explica a primeira – o fato de que João fará uma entrevista explica o porquê de ter mandado lavar o terno; a segunda ideia é uma consequência da primeira – é o que ocorre neste outro exemplo: “O combustível terá novo aumento amanhã. Há enormes filas nos postos” (as filas são consequência do aumento do combustível).


Falta de mecanismos coesivos

Há situações em que a relação entre as ideias é de outra natureza, nesses casos, precisamos explicitá-las. Veja um exemplo: Proibir a venda de games considerados violentos fere a liberdade de escolha do consumidor. Não há pesquisas conclusivas que comprovem a influência negativa desses jogos sobre o comportamento das pessoas. Ora, uma vez que ideias justapostas normalmente mantêm relação de explicação ou de causaconsequência, o leitor tende a estabelecer esse tipo de conexão quando se depara com um par delas. Nesse enunciado, porém, nenhuma das hipóteses se aplica: o fato de não haver pesquisas conclusivas comprovando a influência negativa dos games, não é uma explicação para o fato de que proibir sua venda fere a liberdade de escolha do consumidor; tampouco é uma consequência desse fato. Existe, sim, uma relação entre as ideias, mas ela é de outra natureza – trata-se de uma relação de adição, acréscimo: proibir a venda de games considerados violentos fere a liberdade de escolha do consumidor. Além do mais, não há pesquisas conclusivas que comprovem a influência negativa desses jogos sobre o comportamento das pessoas. Sem um marcador lógico, a clareza do enunciado ficaria prejudicada.

Excesso de mecanismos coesivos

Paradoxalmente, um segundo problema coesivo observado em textos de redatores iniciantes está relacionado não à falta, e sim ao excesso de marcadores. No afã de estabelecer ligações explícitas entre as ideias, esses autores usam e abusam dos conectivos; o resultado é um texto monótono, primário, com “cara de redação escolar”. Se os conectivos são colocados sempre na mesma posição dentro das orações, o efeito torna-se ainda pior. Veja um exemplo: A bicicleta e o carro compartilham as mesmas vias. Logo, um precisa respeitar o outro. Sendo assim, os motoristas devem manter a distância mínima de 1,5 metro do ciclista. Do mesmo modo, os ciclistas devem seguir as leis de trânsito. Por conseguinte, são obrigados a andar na mão correta e respeitar a faixa de pedestres. Finalmente, os ciclistas devem sinalizar com as mãos antes de trocar de faixa.

Emprego inadequado dos mecanismos coesivos

O terceiro problema mais comum relacionado à coesão é o emprego inadequado dos mecanismos coesivos – o que leva inevitavelmente à incoerência, já que o leitor é induzido a estabelecer uma falsa relação entre as ideias. Veja alguns exemplos, com as respectivas correções: Queria tanto falar com Débora, até mesmo porque não sei onde encontrá-la. (incoerente) Não saber onde encontrar Débora só aumenta meu desejo de falar com ela. (coerente) É muito comum os jovens falarem sobre a conquista da liberdade, sendo que muitos deles não sabem o verdadeiro sentido dessa palavra. (incoerente) É muito comum os jovens falarem sobre a conquista da liberdade, porém, muitos deles não sabem o verdadeiro sentido dessa palavra. (coerente) A energia nuclear não apenas é eficiente e econômica: pode provocar terríveis acidentes, com consequências gravíssimas para toda a população do entorno. (incoerente) Embora seja eficiente e econômica, a energia nuclear pode provocar terríveis acidentes, com consequências gravíssimas para toda a população do entorno. (coerente)

Uso de mecanismos coesivos para disfarçar a ausência de coerência

Por fim, o quarto – e talvez mais comum – dos principais problemas relacionados à coesão e à coerência diz respeito àquelas situações em que os mecanismos coesivos são usados apenas para disfarçar a falta de coerência do texto. Em outras palavras: o autor trabalha somente a “superfície” dos enunciados, organizando-os e relacionando-os de um modo aparentemente lógico; contudo, quando o leitor vai além da superfície, percebe que as ideias não formam um todo coerente. Vejamos um exemplo: Com a substituição do contato pessoal pelo virtual, a nova geração está se tornando cada vez mais agressiva e intolerante. Para muitos jovens, a possibilidade de opinar anonimamente na Internet é um convite à ofensa gratuita. Há quem entre em páginas de artistas que não lhe agradam apenas para escrever comentários desrespeitosos, por exemplo. Mas a verdade é que sempre existiram adolescentes de mal com o mundo, prontos para descarregar sua metralhadora giratória contra tudo e contra todos. As “más-criações” e a rebeldia (ainda que sem causa) são uma maneira de o jovem afirmar sua identidade perante o mundo adulto. Em suma: ao contrário do que muitos dizem, a juventude de hoje não é pior que a de outras épocas.

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