Comunicação Empresarial

Atualizado: 4 de nov. de 2021

A essência do verbo comunicar está associada à noção de convivência, comunidade, relação de grupo, sociedade. A comunicação surgiu, possivelmente, da necessidade que os homens sentiam de trocar ideias, conhecimentos e experiências com outros membros do seu grupo, nos estágios primitivos da nossa civilização.

Desde que passamos viver em sociedade, sentimos cada vez mais a necessidade de nos comunicarmos uns com os outros.


No atual mundo competitivo do empreendedorismo e dos negócios, a comunicação é cada vez mais importante. A base de toda relação de negócio está fundamentada no relacionamento interpessoal, na boa apresentação escrita e verbal das ideias e em fazer com que a mensagem chegue de forma correta aos nossos clientes.


A palavra-chave é: relacionamento

As empresas, marcas e negócios estão percebendo cada vez mais a importância da comunicação. As ações coordenadas de comunicação são fundamentais para integrar seus colaboradores, deixar claras as metas, compartilhar os valores, que são tarefas críticas para o sucesso empresarial.


Para atingir os objetivos no fascinante mundo dos negócios, é necessário se expressar usando as mais variadas ferramentas, técnicas e recursos de comunicação. Uma comunicação empresarial feita com clareza, objetividade e segurança é o objetivo de todos. Agora, imagine a seguinte situação: você vai apresentar um novo produto, o material impresso está com erros ortográficos, o site apresenta erros gramaticais e o e-mail utiliza uma linguagem totalmente descuidada. A credibilidade depositada no projeto (ou mesmo no negócio) pode ser abalada. A comunicação entre a empresa e o cliente é essencial, mas muitas vezes é deixada de lado, podendo fazer uma propaganda negativa do produto e, por consequência, da própria empresa.


Dessa forma, um dos maiores desafios dentro das organizações, além da busca constante por maiores índices de lucratividade, é o de melhorar a comunicação entre todos os players envolvidos direta ou indiretamente com o negócio, seja na relação patrão e empregado, colaboradores e clientes ou demais fornecedores. Nesse sentido, fica claro que uma empresa se organiza, se desenvolve e mantém o seu dia a dia muito em função do sistema de comunicação que ela cria e usa. Esse sistema é responsável pelo envio e recebimento de mensagens, sejam internas e externas. Toda essa sistemática envolve fluxos de comunicação.


FLUXO DESCENDENTE (DIREÇÃO VERTICAL)


É o processo de informações da cúpula diretiva da empresa para os subalternos, isto é, a comunicação de cima para baixo.

FLUXO ASCENDENTE (DIREÇÃO VERTICAL)

São as pessoas situadas na posição inferior da estrutura organizacional, que enviam à cúpula suas informações.

FLUXO LATERAL (DIREÇÃO HORIZONTAL)

É a comunicação que ocorre no mesmo nível; é a comunicação entre os pares e as pessoas situadas em posição hierárquicas semelhantes.

FLUXO TRANSVERSAL

Gestão mais participativa e integrada, cria condições para que as pessoas passem a intervir em diferentes áreas e com elas interagir.

FLUXO CIRCULAR

Sem direções tradicionais, se desenvolve muito mais nas organizações informais e favorece a efetividade no trabalho.

Cada vez mais, a gestão participativa e integrada tem ganhado espaço nas organizações e empresas modernas. Permite que o processo seja mais flexível e a comunicação descentralizada. Dos fluxos apresentados, o fluxo transversal é o mais adequado para esse tipo de gestão. Esse tipo de fluxo é muito usado por startups, principalmente por permitir que as informações sejam passadas igualmente entre os colaboradores, ou seja, quando não há dificuldades de comunicação ou hierarquias que a centralizam.


O MODELO DE COMUNICAÇÃO

Você acredita que um dos modelos mais utilizados para explicar a comunicação humana nasceu na matemática? Pois é, o matemático e engenheiro elétrico Claude Shannon era pesquisador dos Laboratórios Bell, pertencente à AT&T, uma enorme empresa de computação. Ele buscava maneiras de evitar as interferências que prejudicavam a transmissão da mensagem entre os aparelhos. Em 1948, publicou um artigo chamado “Uma teoria matemática da comunicação”, que foi publicado também em um livro com prefácio de Warren Weaver, outro matemático e engenheiro



Emissor ou remetente: aquele de quem parte a mensagem. Receptor ou destinatário: aquele a quem se destina a mensagem. Código: um sistema de signos que emissor e receptor precisam compartilhar, total ou parcialmente, para que haja a comunicação. Canal ou contato: o meio físico pelo qual emissor e receptor se comunicam. Referente ou contexto: o assunto da mensagem, aquilo a que ela se refere.

SUBENTENDIDOS E PRESSUPOSTOS

Não são apenas as máquinas que não compreendem as sutilezas da linguagem humana. Muitas pessoas também apresentam a mesma dificuldade, pois entendem tudo literalmente ou “ao pé da letra”, coloquialmente. Além das informações explicitamente anunciadas, existem outras que ficam subentendidas ou pressupostas e são importantes para a compreensão do texto. Pressupostos são ideias não expressadas de maneira explícita, mas que o leitor pode perceber a partir de certas palavras ou expressões contidas na frase. Por exemplo, se eu disser: “O tempo continua quente”, estou comunicando, de maneira explícita, que no momento da fala o tempo é de calor, mas ao mesmo tempo o verbo “continuar” deixa perceber a informação implícita de que antes também o tempo estava chuvoso.


Um outro exemplo: “Paulo parou de beber”, está explícita a informação de que Paulo não bebe, mas está implícito que ele bebia antes. A informação explícita pode ser questionada, mas os pressupostos devem ser verdadeiros, pois é a partir deles que se constroem as informações explícitas. Por exemplo, se Paulo não bebia antes, não tem cabimento afirmar que ele parou de beber. Já os subentendidos são as insinuações escondidas por trás de uma afirmação. Quando, por exemplo, um transeunte com um cigarro na mão pergunta a alguém: “Tem fogo?”, está subentendido: “Pode acender-me o cigarro, por favor?”. O pressuposto é um dado posto como indiscutível; o subentendido é de responsabilidade do ouvinte (o falante pode esconder-se por trás do sentido literal das palavras e dizer que não estava querendo dizer o que o ouvinte entendeu). Captar os implícitos e pressupostos é responsabilidade do receptor e, por mais que se esforce, o emissor não pode garantir que todos os significados serão recuperados. Dessa forma, o receptor acaba sendo um coautor da mensagem, uma vez que dá significado a ela. A partir desse entendimento, vamos utilizar o termo interlocutor para fazer referência tanto ao emissor quanto ao receptor da mensagem.


INFORMATIVIDADE, ECONOMIA, RUÍDO E REDUNDÂNCIA

Apesar das críticas ao modelo de Jakobson, existem alguns conceitos e princípios elaborados por ele e por outros teóricos da época que são muito importantes e não podem ser descartados. Chamamos de informatividade as informações veiculadas nos textos, e o grau de informatividade de um texto é medido de acordo com o conhecimento de mundo das pessoas a que ele se destina. Ou seja, dizemos que um texto possui um alto grau de informatividade quando a compreensão mais ampla desse texto depender do repertório cultural do leitor. Quanto menor a previsibilidade, mais informativo é um texto e vice-versa. Para que a comunicação ocorra da melhor forma possível, é preciso que o interlocutor consiga acompanhar a informatividade do texto. Dessa forma, ao escrever um texto, evite o “senso comum”, que são argumentos aceitos por todos, sem necessidade de comprovação. Por exemplo: “o homem depende do ambiente para viver”. Esse fato está mais do que comprovado, não acrescenta nenhum valor persuasivo ao texto, portanto, nenhuma informatividade. Hoje em dia, como há um excesso de informação, temos que ter criatividade se quisermos chamar a atenção de nosso interlocutor para lhe comunicar algo novo. Mas será então que teremos sempre que ser extremamente diferentes, incomuns ou até mesmo extravagantes? A resposta é: não. Devemos sempre dosar a quantidade de informatividade no texto, pois em excesso, pode não ser entendido e se for muito baixa, pode suscitar desinteresse, pelo fato de não apresentar nenhuma novidade ou importância. O princípio da economia está relacionado ao conceito de informatividade que vimos anteriormente. Segundo ele, a mensagem deve abordar apenas dados novos, relevantes. Excesso de informação acaba cansando o interlocutor, pois normalmente se repetem coisas óbvias e falta variedade, sobrecarregando a mensagem.

Veja um exemplo: “Não se pode questionar a importância da Mata Atlântica, pois para vivermos melhor, precisamos dela. Assim como precisamos dela para respirarmos melhor e, também, para nos alimentarmos melhor, afinal de contas todos sabem que ela é um dos pulmões da Terra e, portanto, é de fundamental importância para a sobrevivência de todos no planeta Terra”. Notou como há muitas informações redundantes? Seria melhor se escrevêssemos simplesmente: “A Mata Atlântica, um dos pulmões da Terra, é fundamental para nossa sobrevivência”.

Mas, precisamos tomar cuidado com o excesso de economia. Não podemos escrever frases demasiadamente curtas, pois temos que nos atentar aos ruídos. Podemos definir ruído como tudo aquilo que interfere na comunicação. O elemento da comunicação mais sujeito ao ruído é o canal, mas qualquer elemento pode ser afetado por ele.

A redundância é o mecanismo ao qual recorremos quando queremos evitar algum tipo de ruído. Repetimos informações com o objetivo de superar os ruídos e conseguir clareza. A língua portuguesa é uma das campeãs em redundância, principalmente quanto à marcação do plural. Veja um exemplo de uma frase escrita em português e em inglês: Perceba que enquanto na língua inglesa apenas uma palavra (o substantivo) recebe a marcação de plural, na língua portuguesa temos cinco palavras flexionadas no plural. Dessa forma, podemos dizer que o português é uma língua menos econômica e mais redundante que o inglês. A leitura também faz parte da comunicação. Não saber interpretar corretamente um texto pode gerar inúmeros problemas, afetando não só o desenvolvimento profissional, mas também o pessoal. O mundo cobra de nós várias competências, e uma delas é entender aquilo que está sendo lido. Além disso, quanto maior o nosso repertório de leitura, maior facilidade teremos para escrever.


“O homem é aquilo que consegue comunicar aos seus semelhantes"
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