Contando Histórias

Atualizado: 4 de nov. de 2021

Em toda a trajetória da humanidade as histórias têm auxiliado pessoas a darem significado para a sua existência, compartilhando ensinamentos, conhecimentos, experiências e deixando legados.


Quando você assiste um filme, uma novela ou uma websérie, antes de entrar na história, há sempre uma abertura: uma sessão de telas ou vinhetas com o nome dos atores e elenco envolvido por ordem de importância: o produtor, o autor da música, e para finalizar, a lista dos créditos com o nome do roteirista e diretor.


E quem vem a ser o tal do roteirista? E quem são as pessoas que raramente são vistas e só perdem importância para o diretor? E o que afinal é um roteiro?


O roteiro é uma ferramenta que utilizamos para contar uma história, e a partir de agora você saberá como tudo isso começou.


Antes de aprender a falar, o ser humano gostava de deixar suas experiências registradas, como aconteceu com aquela tal caçada, "quem ganhou a guerra numa disputa de uma fonte de água ou qual era o melhor campo para se plantar". Temos esses registros nas inscrições rupestres, uma espécie de "história em quadrinhos" das aventuras de nossos ancestrais, gravadas em pedras preservadas até hoje.


Com o advento da linguagem, as histórias começaram a ser contadas de geração em geração por aqueles que eram testemunhas dos fatos. Os mais velhos (os anciãos), reuniam as tribos em volta da fogueira, renunciavam por idade avançada ou limitações físicas e passavam seu cargo para aquele que realmente tivesse a bravura, o empenho, o conhecimento da história e a cultura de cada tribo, sendo na maioria das vezes, um membro familiar do ancião.


Um dos primeiros narradores que temos conhecimento, era o grego Homero, que foi o autor que reuniu mitos e lendas contidos em dois longos poemas, a Ilíada e a Odisseia. Embora não haja muita documentação histórica sobre ele, alguns afirmam que ele era cego, mas dispunha do talento para contar histórias do seu povo.


A Ilíada descreve a guerra entre gregos e troianos, da qual os gregos saíram vencedores. Para isso, fizeram um enorme cavalo de madeira onde soldados se esconderam dentro deles. Os troianos, achando que fosse um presente de rendição dos gregos e devoção aos deuses, abriram as portas da cidade para recolher o tal cavalo de presente. Durante a noite, enquanto os troianos dormiam, os inimigos saltaram de dentro do falso presente e, assim, ganharam a guerra.


Daí, surge o termo irônico "presente de grego".



A arte é a ideia da obra

Aristoteles



Uma das formas mais populares de se contar histórias foi através das peças teatrais de onde surgiu a dramaticidade.


As peças teatrais surgiram através dos cultos aos deuses em procissões cantadas por um coro e, ao passar do tempo, cantadas em letras ao ar livre.


Os autores de peças teatrais eram dramaturgos e poetas famosos que escreviam para que atores interpretassem a vida de outras pessoas.



Aristoteles (384 a. 322 a.C ) foi um filósofo grego considerado o criador do pensamento lógico. Foi aluno de Platão e prospector de Alexandre, O Grande.


Embora tenha escrito sobre muitos assuntos, a obra que o estabeleceu nas estruturas básicas da literatura, inclusive a teatral, foi "Arte Poética".


Aristoteles estabeleceu regras para a escrita de peças teatrais.



As tragédias eram representações teatrais das lendas gregas, repletas de violência e peripécias. Uma das mais famosas é a do rei Édipo, que não fica nada a dever para as sangrentas séries e filmes de hoje.


Essas histórias sobrevivem há milênios e de tempos em tempos são retomadas por teatrólogos e cineastas, como o italiano Pier Paolo Pasolini, que filmou o clássico do cinema, "Édipo Rei" em 1967.


Uma breve visão das aventuras do texto teatral




Quando a Grécia foi anexada ao Império Romano, os conquistadores se encantaram com o teatro, traduziram e interpretaram comédias e tragédias do jeito deles espalhando a arte pelo mundo.



Mas os romanos também usavam os teatros como uma arena de atividades lúdicas que iam desde teatro de variedades à espetáculos de deboche e tortura aplicada às minorias. Em meio a isso, os cristãos daquele tempo que tinham verdadeiro horror ao teatro começaram a difundir sua fé pelo mundo.


Em 313 d.C., por motivos políticos, Constantino, o imperador de Roma, declarou-se cristão. Desde então, foi proibida a perseguição religiosa aos cristãos. Os cristãos acabaram se tornando maioria e, com a queda do Império e o início da Idade Média, os espetáculos teatrais e o circo foram banidos.


Ironicamente foram os próprios cristãos que promoveram o ressurgimento do teatro, quando passaram a usar representações dos mistérios religiosos nas igrejas. E então o adormecido gosto público pelo drama foi novamente despertado.



Durante o Renascimento, surgiram grandes gênios dramaturgos como: Shakespeare na Inglaterra, Calderón de La Barca na Espanha, entre tantos outros nomes da era do apogeu da cultura, da música e da arte.



Textos como "Romeu e Julieta" (1595) e "A vida é Sonho" (1635) se imortalizaram e continuam sendo reproduzidos até hoje, inclusive nas novas mídias.



No século XVIII, o mundo mudou por meio das revoluções. O povo tomou conta do palco e da plateia de onde surgiram novos gêneros como: o drama e o melodrama.




O texto dramático



Para que um espetáculo acontecesse não bastava mais somente que o dramaturgo escrevesse. O objetivo era o desenvolvimento dos atores na frente do público. E foi assim que o texto dramático começou a ter um formato diferente.


A chegada do cinema



No fim do século XIX surgiu o cinema que em muito breve competiria espaço na diversão popular com o teatro.


No início não havia roteiros para cada obra. O começo do roteiro no cinema se deu pelas projeções inventadas ao longo de sua evolução.


Com o passar do tempo o cinema criou um novo jeito de se escrever ao ponto de chamarmos de roteiro.


Afinal, o que é um roteiro?



Roteiro é uma ferramenta ou documento escrito que descreve sequencialmente a estrutura completa de cenas que compõem uma obra de um filme.


Da mesma forma quando compramos um carro prestamos atenção no design, potência e atributos que aquele automóvel dispõe e não na estrutura arquitetônica do veículo que estamos adquirindo. O mesmo acontece com o roteiro. Ele não é um documento a ser entregue aos espectadores, o foco é no resultado final. Assim, ele é um documento a ser produzido para cumprir sua função.




A composição do roteiro


À primeira vista, escrever um roteiro pode parecer bem complicado por conta de suas regras, mas depois que você entende que tudo tem uma função, as coisas ficam mais claras e simples.


Vamos lá?



Você sempre notará várias indicações no início da página, como por exemplo: EXT. - ESTRADA - DIA

Isso quer dizer que é uma cena externa (EXT), numa estrada durante o dia. Logo em seguida vem a descrição do cenário, como por exemplo: curva de uma estrada...


Logo depois a descrição do veículo: carro entra em alta velocidade... Quem eram as pessoas (personagens) que estavam lá dentro do carro naquela cena: José e Maria ao volante, cachorro deitado no banco de trás...



Em seguida as falas entre os personagens e, se houver, latido ou choro do cachorro.



Dessa maneira, todos os participantes do elenco do filme saberão o que cada um tem que fazer em cada cena do filme. Essa regra vale tanto para os atores quanto para os operadores de câmera, som, iluminação e continuistas.


Na estrutura de um roteiro também constam quais equipamentos serão utilizados para captação da imagem, som, iluminação, além das texturas sonoras e efeitos visuais, que deverão ser inseridos posteriormente em cada cena.


A estrutura de um roteiro ajuda a definir o orçamento de um filme através das locações necessárias, dias de gravação e equipes envolvidas na pré produção, na produção e pós produção de um filme.



O roteiro para multimídia



Assim como a humanidade e as tecnologias, as histórias também evoluíram. Você que almeja criar seu conteúdo online, está realmente pronto para se comunicar fazendo com que sua mensagem tenha mesmo o impacto almejado?


Pois é. Conteúdos online também necessitam de roteiros realmente bem estruturados. Ou você acha que sair tirando fotos de pratos e lugares maravilhosos dos influenciadores que você segue são em vão?