Linguagem audiovisual

Atualizado: 4 de nov. de 2021

Você sabe porque nos emocionamos, rimos ou nos assustamos com cenas de filmes?

Pois é. Neste post você entenderá como funciona o processo da linguagem audiovisual.



Uma ideia deve sempre ser aplicada em 3 pontos que são: narrativa, história e discurso.


Narrativa

São os elementos que escolhemos para contar uma história. Desde os ângulos de filmagem aos tipos de trilhas sonoras que irão acompanhar cada ação. Texturas sonoras, cenários, falas e roupas fazem parte da narrativa de uma cena.



História

A história, seja um fato real ou lúdico, tem que conduzir o espectador a vivenciar de forma real, conectando-se com a história. Por mais fantasiosa que seja uma história, ela tem elementos que estão ligados a realidade. Não necessariamente ao mundo real, mas de um desejo ou sonho que almejamos alcançar. Ela tem que deixar uma mensagem, proporcionar um aprendizado.


Discurso

O discurso é baseado no ponto de vista. Quando você for gerar um vídeo, você terá que estruturar qual é a mensagem do seu ponto de vista das coisas ou do mundo e, como você irá transmitir isso para as pessoas.


Por exemplo: imagine um discurso da história da 2ª Guerra. Sempre vai ter quem venceu quem perdeu. Daí, você terá o ponto de vista dos americanos, dos franceses, dos ingleses. Vale também dar ênfase do ponto de vista dos perdedores. Isso, vemos muito em filmes e documentários do holocausto. O discurso pode ser leve onde você exponha sua visão de mundo ou, pode ser agregado a um elemento com uma mensagem de moral, ética, enaltecendo seus valores e princípios proporcionando uma lição por trás do discurso.


Na história do Pinóquio por exemplo, ele é um boneco de madeira que seu “pai” gostaria que ele tivesse vida. Uma fada aparece não o transforma num garoto mas dá vida à ele. Só que para ele se transformar num menino humano ele teria de aprender o que é honestidade, lealdade e coragem. Essas são as virtudes de um ser humano que a Disney compartilha de forma educacional. E para isso, o personagem (Pinóquio) passa por uma série de provações. Se analisarmos o filme, vemos que ele está inteiro baseado numa moral que ensina de forma lúdica a uma criança a importância de ser leal à família, honesto e corajoso. O filmes mostra que há uma série de desafios na vida e que é possível superamos.


Quando falamos de linguagem audiovisual, seja uma série, uma novela, um filme, um videoclipe, uma peça publicitária ou qualquer outro formato, elas sempre vão ter esses três elementos acima.



BASE NA LINGUAGEM AUDIOVISUAL

Sabe quando você se conecta de tal forma com uma história que você sabem quem é o vilão, quem é o mocinho e a mocinha e você torce para que no final tudo acabe bem? Ou mesmo uma história que você não gosta, que você nem sabe porque está vendo aquilo mas mesmo assim você não consegue deixar de prestar atenção mesmo quando a cena nem é tão interessante. Por que isso acontece? É porque a linguagem audiovisual é baseada em três pirares que são: intensidade, intimidade e ubiquidade.



Intensidade

A intensidade parte do princípio de que a história envolva o espectador. Para que esse envolvimento aconteça, o princípio básico é o ritmo para que o espectador não veja o tempo passando. O ritmo bem construído conecta ao ponto do espectador entrar na história sem ver o tempo passar. O ritmo mal construído faz com que o espectador olhe no relógio e se sinta cansado.



Intimidade

São todos os elementos de identificação para que o público entre com tudo dentro da história e diga: “Nossa, imagine se fosse comigo… imagine se eu estivesse no lugar dele…” À partir de quando o espectador cria um desejo ou anseio na história que cria uma ponte com a vida dele, ele de alguma forma já está conectado com a história.


Ubiquidade

É a recriação do tempo. É a emulação do tempo real que tem um tempo para acontecer algo de forma rápida parecendo que a cena é mais demorada. É aí que cabe uma câmera lenta em algumas cenas para que possa ser percebido os detalhes da ação, as expressões para dar uma ênfase maior numa cena que você quer mostrar. Cenas de morte, tiros, soco fatal numa luta ou uma cena de sexo, utilizam muito a ubiquidade. Numa cena que exponha uma vida corriqueira por exemplo, pode aparecer o mesmo personagem com roupas e cenários diferentes para mostrar o dia a dia corriqueiro das pessoas. O importante é que estes elementos (frames diferentes) não trabalhem de formas individuais.



ELIPSES

É o ato de eliminar da historia os tempos fracos. É a elipse que fará a ubiquidade. Para construção da elipse, existem dois tipos que são:



Elipse de conteúdo

A elipse de conteúdo é quando você elimina parte de uma cena inteira.

Você deve indicar ao espectador o que está acontecendo para que ele entenda o meio do caminho, a lacuna e assim, você não precisará mostrar todos os detalhes. Dessa forma, você cria o envolvimento com o espectador, cria o ritmo e dinâmica dentro da narrativa.


A elipse de conteúdo também pode ser usada como uma censura social. Assim, você indica ao espectador o que irá acontecer eliminando aquilo que poderá ser considerado um ponto “crítico”.


Na elipse de conteúdo a censura social não é para fingir que aquilo não existiu ou como os jornais fazem com os seus leitores e espectadores quando criam um alarde sem expor todo o cenário, mas sim, porque naquele horário ou ambiente, tal informação não possa ser passada por inteiro. É importante não confundirmos a censura social com uma censura de uma ditadura por exemplo. Porque quando falamos de censura em modo geral, como em uma ditadura, ela é considerada como uma supressão daquilo que nunca teria existido.

Numa cena de sexo, por exemplo, você indica que um casal está ali curtindo um momento se beijando, deitando ou mesmo fechando a porta e, em seguida, aparecem deitados na cama conversando. Então você mostra o apontamento do que iria acontecer e o final da ação. Dessa forma o espectador entenderá o contexto sem que detalhes precisem ser mostrados.


A maior elipse de conteúdo de todos os tempos da história cinematográfica está no filme “2001 uma Odisseia no Espaço” quando, no início do filme o macaco joga o osso para cima, vemos a cena do osso está girando no ar e de repente, aparece uma nave espacial. Assim, o diretor fez uma elipse de toda evolução humana. Os elementos são construídos de acordo com evidências que deixam subentendido que algo ou alguma coisa aconteceu naquele meio tempo.


No início do filme do Batman, por exemplo, temos um garoto vendo seus pais morrendo, o garoto fica olhando um violino e a elipse é aplicada guiando os espectador para a cena de um homem com seus 30 e poucos anos em sua mansão. Neste caso, a elipse de conteúdo corta todo o crescimento, a infância e juventude do Bruce Wayne porque aquilo pouco nos importa. A relevância está na cena inicial que foi tão forte ao ponto de ajudar moldar a personalidade do personagem que, através desse ponto trágico, ele se torna um herói com a missão de combater a violência.


Uma coisa muito interessante para se pensar é que é o espectador quem constrói uma ponte de acordo com o ponto de vista de cada preenchendo essa lacuna.



Elipse de estrutura

Na elipse de estrutura você sabe que a ação aconteceu ou está acontecendo naquele momento. E quando você tem uma elipse de estrutura indicando que a ação está acontecendo naquele momento, você vai eliminar outro elemento. Por exemplo, quantos filmes você já viu com um assassino entrando em uma casa, e a cena fica mostrando somente o lado de fora da casa e você, como espectador, fica ansioso querendo saber quem era aquele assassino porque você só viu parte do corpo dele e os gritos de socorro da vítima? Pois é. Na elipse de estrutura o espectador vê a cena acontecendo por um ângulo externo mas não sabe objetivamente o que aconteceu. E é assim que se cria uma conexão conduzindo o espectador se prenda ao filme acompanhando cena por cena até o final da história para descobrir quem é o tal assassino. Outra forma de se construir uma elipse de estrutura é eliminando um dos elementos de uma cena para gerar um impacto dramático ainda maior em algum determinado momento. Isso acontece porque nossa mente entenderá que algo está faltando naquela cena. E assim é gerada a necessidade de preenchimento para completar a cena.

Temos um grande exemplo no cinema no filme O Poderoso Chefão (3), quando em uma tentativa de assassinato o personagem acaba sem querer matandoa própria filha. Nessa cena, o áudio é o elemento excluído para gerar maior dramaticidade, e assim, vemos somente a cena do pai chorando desesperado ao se deparar com o que havia feito. A elipse de estrutura aplicada nesta cena junto com a expressão facial do pai, transporta sentimento de dor ao espectador. O impacto visual é tão grande que sua imaginação irá te conectar com aquela dor do personagem. O sentimento de dor, alegria, emoção, prazer, entre outros, é algo subjetivo demais. Mas como se diz no ditado popular "a dor do outro sempre é menos que a nossa". E a elipse de estrutura mostra isso nos transportando para nos conectarmos com cenas através do sentimento e assim, é criado um vínculo com o personagem. Nesta cena do filme O Poderoso Chefão 3, a elipse de estrutura é aplicada extraindo o áudio para que você sinta esse grito interno e sua mente lhe proporcionará a intensidade da dor.


Conclusão


Estamos sendo a todo instante manipulados através das comunicação midiática. Entenda que todo conteúdo multimídia que você assiste, lê, ouve ou consome tem uma mensagem por trás além de uma série de ferramentas, técnicas e recursos que fará com que você se conecte com aquela mensagem.


Com este conhecimento você poderá criar conteúdos mais persuasivos gerando maior engajamento com seu público-alvo, conter compras e consumo por impulso na internet ou com promessas mirabolantes demais e, também, entender quais são as etapas que foram realmente criadas para fisgar sua atenção.


Mas não seja uma pessoa técnica e chata ao ponto de não se entregar às emoções em sua maratona Netflix, no cinema ou conteúdo online. Consuma conteúdos multimídia com moderação! ;)


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